8. ARTES E ESPETCULOS 7.8.13

1. CINEMA  L VEM MONSTRO!
2. MSICA  SUPERPODEROSA. E SUPERFABRICADA
3. LIVROS  PROVOCAO FACTUAL
4. LIVROS  O MOTIVO DE TUDO
5. VEJA RECOMENDA
6. OS LIVROS MAIS VENDIDOS
7. J.R. GUZZO  PENSAMENTOS SIMPLES

1. CINEMA  L VEM MONSTRO!
Em Crculo de Fogo, do diretor Guillermo del Toro, robs gigantescos combatem criaturas colossais:  cinema feito com superioridade tcnica e com alma e corao, para assombrar e deslumbrar.
ISABELA BOSCOV

     Se (e ponha-se "se" nisso) sauros descomunais, maiores que os maiores arranha-cus, comeassem a sair de uma fenda no fundo do Pacfico para devastar as cidades costeiras,  provvel que o mais prtico fosse disparar msseis nucleares dentro de sua bocarra, ou algo assim, antes que eles chegassem s reas habitadas. Felizmente, Crculo de Fogo (Pacific Rim, Estados Unidos, 2013), que estreia nesta sexta-feira no pas, no quer saber do que  prtico, ou mais eficaz, ou mesmo do que  lgico. O diretor mexicano Guillermo del Toro quer saber, isso sim, do que  fabuloso. Assim, quando os monstros, ou kaiju, comeam a usar o abismo marinho como portal para viajar da sua dimenso  Terra, a arma com que a humanidade responde a eles so os jaegers. Ou robs to colossais quanto as prprias bestas, com as quais eles se engajam em estupendas brigas no oceano, com as ondas batendo nos seus joelhos, ou j dentro das cidades, que ficam parecendo ans. O estrago  imenso. Mas no  o estrago indiferente que se tem visto em filmes como Transformers, ou Os Vingadores, ou O Homem de Ao, ou tantos outros ainda dessa estirpe. Del Toro  um cineasta que no perdeu a alma: tenha nas mos trabalhos ntimos como A Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno, ou projetos pop para grande pblico, como os dois Hellboy e este novo filme, a matria-prima com que ele os molda  a mesma  uma imaginao prodigiosa, em que o assustador e o belo so uma s coisa, encarnados na mesma criatura. Cidades so dizimadas, milhares perdem a vida: e o sofrimento e o sacrifcio so to genunos quanto o espanto, o pavor e a admirao. 
     Com Crculo de Fogo, Del Toro ambiciona transportar a plateia de hoje ao estado de choque e catarse que o pblico das dcadas de 50 e 60 experimentava ao assistir aos filmes de kaiju: aquelas produes em geral sadas do estdio Toho que expressavam o pnico nuclear japons por meio de monstros como Godzilla, Gamera ou Mothra (que aqui passou com o delicioso subttulo de "A Mariposa Assassina"). Kaiju, em japons, quer dizer "fera estranha", e as de Del Toro so fiis  traduo: algo como verses desfiguradas de tubares, sapos, tartarugas ou lagartos, capazes de ensurdecer toda uma metrpole com seus gritos, encobrir todo o cu com suas silhuetas terrveis e de, quando mortas, contaminar costas inteiras com a "mar azul" provocada por suas carcaas. Os jaegers (do alemo para "caador") no so menos acachapantes: humanoides mecnicos feitos com milhares de toneladas de ao, articulados por pistes do tamanho de prdios, com torso grande como uma montanha e  esse o detalhe to improvvel quanto cativante  pilotados por seres humanos reais abrigados no interior de seu crnio metlico. Sempre dois ao mesmo tempo: operar tais gigantes seria demais para uma pessoa s. So necessrias duplas unidas por uma afinidade intangvel e capazes de sincronizar seus pensamentos ao ponto de, das grandes decises aos gestos mais casuais, agirem como um s indivduo. 
     Lgico ou verossmil no . Mas  lindo: um retorno ao deslumbramento em estado puro, feito com alegria sincera e uma convico que contagia o elenco  Charlie Hunnam, da srie Sons of Anarchy, como Raleigh, o piloto que se retirou da ativa quando seu irmo e parceiro foi morto em combate; a excelente Rinko Kikuchi, de Babel, como Mako Mori, a nica pessoa capaz de entrar em sintonia com Raleigh e torn-lo novamente parte de uma dupla; o impressionante Idris Elba, das sries The Wire e Luther, como o marechal cegamente determinado a deter os kaiju; e Ron Perlman, o Hellboy, como um contrabandista caolho. O grande personagem de Crculo de Fogo, porm,  outro. Quando Raleigh leva, sozinho, seu jaeger para uma praia gelada do Alasca e tomba estrondosamente na neve, ou quando Mako, garotinha, foge de um kaiju com lgrimas escorrendo dos olhinhos inchados, no so s atores, monstros e um diretor que esto em cena  o que est em primeiro plano  o poder primordial do cinema, o de assombrar e transportar. 

"OS MONSTROS NUNCA ME DECEPCIONAM"
O diretor Guillermo del Toro conta a VEJA como bolou os kaiju, e explica por que as criaturas e mundos estranhos que vivem em sua imaginao so o seu motor criativo.

 parte um malfadado Godzilla, em 1998, o cinema americano at aqui deixara quietos os filmes japoneses de monstro. De onde veio a ideia de homenage-los?
Sou f incondicional da tradio do filme de kaiju, e isso era o que eu queria: recriar para a plateia a alegria que eles me proporcionavam quando eu era um garoto de 11 anos. Mas o que me convenceu foi a sacada do roteirista Travis Beacham de tornar os robs mquinas operadas por dois pilotos ao mesmo tempo. Isso pe no centro da histria a noo de que nada de significativo pode ser conquistado nessa guerra sem a confiana essencial entre os dois indivduos no interior dos jaegers.

 verdade que o senhor quis que todos os kaiju pudessem ser, hipoteticamente, fantasias de borracha com um ator dentro?
Fiz questo absoluta. Os kaiju de Crculo de Fogo so criados em computao grfica, claro. Mas, se fosse em 1968, eu poderia fazer o mesmo filme, com os mesmos monstros e robs, usando roupas de borracha, marionetes e miniaturas. No ficaria to convincente ou to bonito, mas seria essencialmente o mesmo filme.

J para os jaegers o senhor deu preferncia tanto quanto possvel a efeitos mecnicos.
Quando voc quer passar a sensao de peso e fora, no h nada que se compare  coisa de verdade. Construmos uma centena de sets, todos eles quase integralmente mecnicos, o que  infernal. E vrias partes dos robs foram feitas em escala real: as mos, os ps. Uma coisa linda de ver.

Muita coisa  destruda em Crculo de Fogo  mas no se presencia o arraso de nenhum grande smbolo nacional. Por qu?
Porque eu no queria fazer um filme militarista ou que insuflasse sentimentos nacionalistas. Eu queria que neste filme, apesar das desavenas, naes e indivduos se sentissem compelidos a unir-se para chegar a uma soluo, contribuindo cada um com o seu melhor - sua inteligncia, seu poderio, sua determinao, seus talentos.

O grande enfrentamento entre os kaiju e os robs se d em Hong Kong, e no em Tquio, como seria de esperar. Por qu?
Primeiro eu queria que Tquio, que tantas vezes foi destruda nos antigos filmes de kaiju, fosse homenageada com uma cena especial - aquela em que a menininha que depois se tornar a piloto Mako Mori tenta escapar do ataque de um kaiju: visto pelos olhos de uma criana, ele volta a ser um terror primal, como aquele que a plateia das dcadas de 50 e 60 experimentava ao assistir a esses filmes. Depois, porque adoro Hong Kong:  noite, quando as luzes se acendem, no h lugar igual no mundo.  como um arco-ris noturno, algo que parece sado de uma fantasia.

O senhor passou os ltimos trs anos fazendo Crculo de Fogo  e, antes disso, outros tantos trabalhando em dois projetos dos quais teve de desistir, O Hobbit e Nas Montanhas da Loucura. Foi um perodo especialmente difcil? 
No me lembro de ter tido um nico ano fcil na minha vida profissional. Trabalho numa rea que as pessoas tendem a encarar de maneira meio leviana; esse tipo de filme em geral  visto como um negcio para ganhar muito dinheiro, e rpido, e seja como for. Mas, por temperamento, no consigo deixar de levar a srio o que eu fao. Minha ambio  sempre tentar criar algo de permanente. O que, de certa forma,  um jeito garantido de se desapontar. A nica coisa na minha vida que nunca, jamais, me desapontou foram os monstros: eles esto sempre l, despertando pavor, mas tambm admirao e um sentido diferente do que  a beleza. Meus monstros vm do meu corao.


2. MSICA  SUPERPODEROSA. E SUPERFABRICADA
Anitta saiu do subrbio para as paradas de sucesso com canes como Meiga e Abusada  e tambm graas a um planejamento eficiente, no qual se incluram aulas de dico e at umas mexidas cosmticas no look.
SRGIO MARTINS

     So 3 horas da manh e a carioca Larissa de Macedo Machado precisa desesperadamente de uma companhia masculina. No palco de uma casa noturna em So Paulo, ela passa os homens em revista com a soberba de um imperador romano das superprodues hollywoodianas dos anos 1950. "Cara, do jeito que voc bebeu, no vai pegar ningum hoje", diz para um f mais assanhado. "Voc, no. Quero um garoto sarado", responde para outro. Sempre cheia de atitude, ela ainda se desvencilha do aparente assdio de uma garota: "Para com isso que eu no sou lixbica. Meu negcio  homem". Finalmente, quatro eleitos so admitidos ao palco (um de cada vez, claro) para danar com a cantora  e para ser espinafrados pelos rapazes que, doidos de inveja, ficaram de fora. Larissa, convenhamos, no  nome apropriado para uma diva pop que faz esse gnero 'dominatrix da comunidade". Inspirada pela minissrie ertica da Globo Presena de Anita, a cantora que veio de Honrio Gurgel, subrbio do Rio de Janeiro, adotou o nome artstico de Anitta. Deu certo. Aos 20 anos, ela  hoje a principal expoente do funk melody, a vertente "pacificada" do funk carioca. Impulsionado pelo sucesso de seus vdeos (o clipe de Show das Poderosas passou dos 42 milhes de visualizaes no YouTube), seu CD de estreia j vendeu 50.000 unidades, marca extraordinria para a indstria fonogrfica hoje. A cantora faz cerca de trinta apresentaes por ms, a um cache que pode chegar a 120.000 reais. 
     No  s o nome que mudou: Anitta  um caso bem-sucedido de artista fabricada. Filha de uma costureira e de um vendedor de baterias de carro, ela postava suas imitaes de cantoras famosas no YouTube quando foi descoberta por um DJ da equipe de som Furaco 2000. Como parte do cast desse conglomerado do funk, comeou a se apresentar pelo msero cache de 150 reais por show. "Eu ia para os bailes com a minha me, no Peugeot 206 do meu pai. Mas o carro teve de ser devolvido por falta de pagamento", lembra. As boas performances chamaram a ateno da empresria Kamilla Fialho, que decidiu comprar o passe da cantora. A carta de alforria de Anitta custou 260.000 reais. 88.000 dos quais saram do bolso da cantora (ela paga a dvida com o rendimento dos shows). Anitta foi lapidada com a ajuda de uma personal stylist, uma fonoaudiloga e uma atriz, encarregadas de auxili-la a se soltar no palco e a se comunicar com o pblico. A cantora operou o nariz e fez uma cirurgia para reduzir os seios. "Perguntei logo de cara o que a incomodava. No queria que ela mudasse o visual depois de fazer sucesso", diz Kamilla. O projeto Anitta contou ainda com a assinatura de contrato com uma gravadora multinacional, a Warner. 
     O funk melody, vertente defendida por Anitta,  mais suave que os pancades do funk carioca. Suas canes tm, claro, uma boa dose de malcia, mas nada comparvel  baixaria que fez a fama de um Naldo. Anitta, o disco, pode ser ouvido em casa de famlia: possui muito mais o acento da msica pop internacional do que a marca do batido das favelas. "Ela j era a rainha dos bailes funk. Nosso objetivo foi transform-la em algo maior", diz Umberto Tavares, coprodutor do lbum. As letras tm um humor popular, mas pueril. "Beijo tu manda pra Xuxa", canta Anitta em Fica S Olhando. E ainda: "No toque no meu cabelo / Voc no  escova" (Proposta). Em certos momentos, ela lembra uma verso melhorada de Kelly Key, do hoje esquecido hit Baba Baby (Umberto Tavares, alis, tambm trabalhou nos discos de Kelly). 
     O sucesso de Anitta, ainda que recente, j inspira a previsvel legio de genricas. "Muita gente me mostra canes que se parecem com as da Anitta. E a vou logo perguntando: 'Que tipo de msica voc fazia no ms passado?, ironiza o DJ Marlboro, referncia do mundo funk carioca. Como toda estrela pop digna do nome, Anitta j tem seu imitador transformista: Camilla Monforte. rebatizada como TransAnitta, tem feito apresentaes nas quais dubla sucessos como Show das Poderosas. Para melhor imitar as formas opulentas da verdadeira Anitta, fez um implante de silicone no bumbum, generosamente pago pelo marido. J a poderosa original quer saber s do financiamento dos fs. "Comprem meu disco", pediu ao pblico da casa noturna paulista. "Quero ficar rica igual a vocs."


3. LIVROS  PROVOCAO FACTUAL
No terceiro livro de uma srie devotada  reviso "politicamente incorreta" da histria, Leandro Narloch volta a chutar os clichs consagrados da esquerda.
JERNIMO TEIXEIRA

     No haver conceito mais esvaziado no debate poltico do que "fascismo". No captulo devotado ao tema em Guia Politicamente Incorreto da Histria do Mundo (Leya; 352 pginas; 39,90 reais, ou 26,99 na verso eletrnica, disponvel a partir do dia 11), o jornalista Leandro Narloch pondera, com muita propriedade, que o adjetivo "fascista" se tornou um insulto genrico, quase um sinnimo de "horrvel". Narloch decidiu ento aferir que eco as ideias fascistas ainda poderiam ter entre os polticos. Com o auxlio de colaboradores, fez uma pesquisa com sessenta deputados brasileiros, pedindo que avaliassem cinco postulados do fascismo original em uma escala que vai do "concordo totalmente" ao "discordo totalmente". Os entrevistados no sabiam, mas os trechos avaliados vinham de um manifesto escrito por Benito Mussolini, o prprio, em parceria com o terico Giovanni Gentile. Coisas simpticas como "um homem se torna um homem apenas em virtude de sua contribuio  famlia,  sociedade e  nao" ou "o estado deve abranger tudo". Os esquerdistas gostaro de saber que h mais argumentos para xingar de fascista um de seus mais detestados inimigos: Jair Bolsonaro, do PP do Rio de Janeiro, ficou em segundo lugar entre os deputados que mais concordam com as ideias de Mussolini e Gentile, com 12 pontos em uma escala cujo mximo de concordncia seria 20. S que os esquerdistas tambm tero de chamar Bolsonaro de "companheiro", talvez "camarada". Na turma dos que mais ficaram perto de concordar com a dupla italiana, todos os demais pertenciam  esquerda (em primeiro, com 14 pontos, ficou Oziel Oliveira, do PDT baiano). Na mdia por partido, o PC do B  o que mais aceita a pregao fascista, seguido pelo PT. A pesquisa  a mostra mais eloquente  e divertida  do mtodo que Narloch, um best-seller da divulgao histrica, desenvolve agora em seu terceiro livro: a provocao pelos fatos. 
     Ex-reprter de VEJA, Leandro Narloch j vendeu 450.000 exemplares de Guia Politicamente Incorreto da Histria do Brasil e 250.000 de Guia Politicamente Incorreto da Amrica Latina (este escrito em parceira com Duda Teixeira, editor de VEJA). Todos apresentam a histria sob uma perspectiva que diverge da sempre previsvel ladainha dos livros didticos, na qual os culpados so sempre os capitalistas, os imperialistas, as elites. No novo guia,  exemplar o captulo sobre a frica: Narloch parte de uma questo do Enem em que a resposta (politicamente) correta atribui as mazelas atuais do continente  guerras civis, golpes de estado, conflitos tnicos  s "fronteiras artificiais" criadas pelo imperialismo europeu. Sem jamais negar as atrocidades histricas do colonialismo  por exemplo, o sistema de escravido que matou milhes no Congo sob domnio do rei belga Leopoldo II , o autor desmonta esse argumento: as desgraas da frica, longe de ser herana direta do colonialismo, so responsabilidade dos africanos, sobretudo de ditadores que seguiram a desastrosa cartilha "terceiro-mundista do dirigismo estatal e do isolacionismo econmico, como Kwame Nkrumah, de Gana, ou Ahmed Skou Tour, da Guin. Na ndia, coube ao heri da independncia e da resistncia pacfica Mahatma Gandhi um papel semelhante: sua insistncia na autossuficincia econmica e em modelos improdutivos de agricultura de subsistncia, diz Narloch, levaria o pas  misria depois da morte do lder. 
     O Dalai-Lama e Madre Teresa de Calcut, figuras que como Gandhi encarnam a paz e a virtude, tambm saem arranhados neste novo Guia. No campo das foras que de fato combateram a misria, esto, como se demonstra com sobejos nmeros, o uso intensivo de agrotxicos e a Revoluo Industrial, que a longo prazo diminuiu  surpresa  a explorao de trabalho infantil. O imperador Nero sai inocentado do incndio de Roma. Mas o heri mais improvvel do livro , pasme o leitor pacifista, a bomba atmica. Narloch mostra simpatia pela tese de que as armas atmicas, pelo seu alto potencial destrutivo, cobem os pases que as possuem de efetivamente entrar em guerra  a chamada '"paz nuclear", defendida sobretudo pelo cientista poltico Kenneth Waltz. Mas o jornalista pe aqui seu cauteloso gro de sal, citando tambm autores que contestam ou relativizam a tese de Waltz. O que Narloch no negocia  o fato de que, em 1945, uma invaso militar convencional do Japo custaria a vida de muito mais japoneses do que os cerca de 200.000 exterminados pelas bombas atmicas de Hiroshima e Nagasaki. Ou seja, a bomba salvou vidas. O Guia tem vrias dessas proposies na aparncia controversas, mas difceis de refutar. Para a turma "correta", s vai sobrar o recurso de xingar o autor de fascista. 


4. LIVROS  O MOTIVO DE TUDO
Em Por que o Mundo Existe?, o filsofo e matemtico Jim Holt mergulha na maior ambio humana: achar a razo da prpria existncia.
FILIPE VILICIC

     O americano Jim Holt tem obsesso pelas perguntas que assombram a cincia e a religio desde as origens ancestrais dessas duas instituies. "Por que o mundo existe?" "Por que eu existo?" "Por que existe algo e no apenas o nada?" Essa ltima, em especial, o persegue desde o incio dos anos 1970, quando era aluno do ensino mdio de uma escola do estado da Virgnia e, em visita  biblioteca local, deparou com a questo nas primeiras pginas do clssico Introduo  Metafsica, do filsofo alemo Martin Heidegger. O fascnio pelo mistrio existencial fez com que ele desacreditasse de Deus e descartasse a educao religiosa que recebera com fervor de seus pais e de monges franciscanos. Tambm o conduziu para a filosofia e a matemtica e o impeliu a rodar o mundo em busca de uma resposta convincente.  essa jornada, na qual revisita pensadores da Antiguidade e viaja pela Frana, pela Inglaterra, pelos Estados Unidos e pelo Canad para compartilhar sua angstia em conversas com cosmlogos modernos de toda sorte, que vai narrada em Por que o Mundo Existe? (traduo de Clvis Marques; Intrnseca; 317 pginas: 29,90 reais, ou 19,90 reais na verso eletrnica). 
     Holt no concebe uma resposta absoluta (nem poderia, claro). O que ele faz  cultivar dvidas e guiar o leitor em sua aventura intelectual. Nesse sentido, inspira-se na tradio de pensadores como Plato, Leibniz e Spinoza, cujos maiores mritos foram formular questes que nos levam a mergulhar no enigma da existncia. Ao final da narrativa,  natural herdar seu anseio e sua aflio  e fica difcil discordar da famosa afirmao do americano Steven Weinberg, ganhador do Prmio Nobel de Fsica por ter unificado o eletromagnetismo e a fora fraca em uma nica teoria: "O esforo no sentido de entender o universo  uma das poucas coisas que elevam a vida humana acima do nvel da farsa, conferindo-lhe algo da dignidade da tragdia". 
     Em cafs de Paris, nos prdios centenrios de prestigiadas universidades, como a de Oxford, e em andanas por ruas de Nova York, Holt busca por aqueles que, como ele, esto inquietos diante da existncia do mundo. Os pensadores que ouve so de um tipo especial: cosmlogos, figuras inquietas e instigantes que procuram uma razo para a existncia do universo. Esses so divididos em dois grupos, conforme a vocao profissional: o dos matemticos, bilogos e fsicos que recorrem  filosofia para desvendar questes existenciais, como Weinberg e Richard Dawkins; e o dos telogos e filsofos que flertam com a cincia pura, caso de Martin Heidegger e Richard Swinburne. Conforme o tipo de resposta que do, subdividem-se ainda em trs categorias: otimistas, pessimistas e rejeicionistas (veja ao lado). Para Holt, interessam sobretudo os primeiros  que se dividem em dois subgrupos. Os materialistas vem o universo como uma estrutura cujo tempo se originou aps o Big Bang e se expandiu em um edifcio de tomos. Os platnicos defendem um mundo formado de ideias  morais, ticas ou matemticas  Para evitar preconceitos, o autor no descarta teorias. D voz ao ingls Richard Swinburne, defensor de que "a cincia est sempre em busca da hiptese mais simples", e de que a tese "mais simples para explicar tudo  a que postula Deus". Ouve David Deustch, pioneiro da computao quntica, dono de uma ideia mirabolante, s que de invejvel racionalidade: a existncia de um computador quntico universal capaz de simular qualquer realidade fisicamente possvel. Conclui, aps conversa com o filsofo ingls Derek Parfit. que  inevitvel a existncia de explicaes para as verdades do universo  e que conceitos que ele chama de Seletores, como o da simplicidade e o da plenitude, levariam s leis csmicas que regem a infinita realidade. No abandona propostas de que tudo poderia ter sido criado pela simples bondade, ou de que clculos matemticos conteriam a explicao ltima, ou mesmo de que o universo seria um evento de causa sui. 
     Para justificar a procura, que parece fadada a explicaes circulares ou abissais (afinal, cada nova lei da fsica exige outra que a explique, e essa precisa de mais outra, e assim por diante), evoca o Princpio da Razo Suficiente, de Gottfried Wilhelm Leibniz, o mesmo que em 1714 formulou a pergunta que o aflige, "Por que existe algo e no apenas o nada?". Segundo esse princpio, para cada verdade deve haver um motivo e, para cada coisa, uma razo de sua existncia. Holt no nega, porm, que toda essa busca tem um componente egocntrico, que mira achar um propsito para a prpria vida. "Se o mundo  uma elegante explicao matemtica ou, como acreditam oito em cada dez americanos, efeito da vontade divina, so questes que inevitavelmente rimam com outra: por que eu existo?", disse Holt a VEJA. Por esse pressuposto, torna-se obrigao do ser humano buscar um motivo que o guie at sua morte. No espere contentamento ao fim da leitura. Mas, sim, uma inquietao profunda.

"POR QUE EXISTE ALGO E NO APENAS O NADA?"
O escritor americano Jim Holt leva essa pergunta essencial, formulada em 1714 pelo matemtico alemo Gottfried Wilhelm Leibniz, a pensadores de diversas reas. Ele divide as respostas em otimistas (podemos descobrir o motivo), pessimistas (no se pode desvendar a razo) e rejeicionistas (no h explicao, e no deveramos nos desgastar com a questo)

OS OTIMISTAS
"Ainda no temos o que eu costumo chamar de teoria final. Quando chegarmos l, talvez se lance alguma luz nessa questo." - Steven Weinberg, fsico americano, ganhador do Prmio Nobel de Fsica
"Quando buscamos a mais profunda compreenso possvel da maneira como o mundo se comporta, somos atrados para matemtica.  quase como se o mundo fsico fosse construdo a partir da matemtica." - Roger Penrose, matemtico ingls.

OS PESSIMISTAS
"A partir do momento em que perguntamos por que existe algo e no apenas o nada, fomos alm da cincia." - Alan Sandage, astrnomo americano, morto em 2010.
"No vamos deparar com uma muralha de tijolos dizendo: 'Nenhuma explicao depois desse ponto'. Por outro lado, tampouco acho que vamos encontrar uma muralha dizendo: 'Esta  a suprema explicao de tudo'." - David Deutsch fsico britnico e pioneiro da computao quntica.

O REJEICIONISTA
"O que poderia ser mais lugar-comum, do ponto de vista emprico, que o fato de isso ou aquilo existir?" - Adotf Grnbaum, filsofo alemo.


5. VEJA RECOMENDA
EXPOSIO 
NOITES BRANCAS: DOSTOIVSKI ILUSTRADO (EM CARTAZ AT 29 DE SETEMBRO NO MUSEU LASAR SEGALL, EM SO PAULO)
 As mais de 100 gravuras e desenhos que compem a mostra Noites Brancas fazem a ligao entre as artes plsticas e a literatura. Descobre-se a afinidade entre o escritor russo e o expressionismo alemo, representado por doze artistas alemes e austracos que participaram diretamente do movimento  e tambm pelo lituano naturalizado brasileiro Lasar Segall (1891-1957) e pelo carioca Oswaldo Goeldi (1895-1961), influenciados pela esttica expressionista. Realizados entre 1912 e 1921, os trabalhos de Erich Heckel, Alfred Kubin, Max Burchartz e Otto Mller, entre outros  todos fazem parte dos acervos do Gabinete de Gravura de Dresden e do Museu Lindenau, na Alemanha , dividem-se entre obras independentes e ilustraes para edies de clssicos como Os Irmos Karamazov e Crime e Castigo. Trata-se de um conjunto de imagens delicadas e impactantes que pode ser visto como uma narrativa visual dos personagens e temas de Dostoivski. Mas tambm  como na srie de Goeldi, realizada para a editora Jos Olympio, nas dcadas de 30 e 40   o registro de um tempo em que livros eram apresentados ao pblico como pequenas e acessveis obras de arte.

DISCOS
WROTE A SONG FOR EVERYONE, JOHN FOGERTY (SONY)
 O cantor e guitarrista americano John Fogerty passou mais de uma dcada sem cantar as msicas que comps no Creedence Clearwater Revival. O principal motivo foi a briga com o produtor cinematogrfico Saul Zaentz, que se havia apropriado dos direitos autorais sobre essas canes, chegando ao cmulo de acusar Fogerty de plgio. Em 1998, felizmente, o cantor superou esses entraves e lanou um disco ao vivo composto em sua maioria das canes do ex-grupo. Em Wrote a Song for Everyone, Fogerty revisita mais uma vez os clssicos do swamp rock  estilo pelo qual o Creedence ficou conhecido. A novidade est nos duetos com artistas do country, do pop e do rock alternativo, que ilustram a abrangncia das composies de Fogerty. Embora inclua uma infeliz participao de Kid Rock, a seleo traz mais acertos que erros. O Foo Fighters d o peso necessrio  cano de protesto Fortunate Son. E a cantora de country rock Miranda Lambert tanto brilha na faixa-ttulo que acaba por ofuscar a guitarra cheia de efeitos de Tom Morello, do Rage Against the Machine.

A BENO, VINCIUS: A ARCA DO POETA, VINCIUS DE MORAES (UNIVERSAL)
 Esta caixa antecipa as comemoraes do centenrio de nascimento do poeta, letrista e cantor carioca, em 19 de outubro.  uma aula e tanto de Vincius de Moraes, professada por alguns dos seus melhores intrpretes. Esto aqui a trilha do musical Orfeu da Conceio (que marcou o incio de sua parceria com Tom Jobim), a dobradinha com o soberbo violonista Baden Powell e, claro, os lbuns gravados em dupla com Toquinho. A fora da poesia de Moraes est representada nos dois volumes de Vincius: Poesia e Cano, nos quais suas msicas so executadas pela Orquestra Sinfnica Municipal de So Paulo e seus poemas declamados pelo prprio autor, por sua filha Suzana de Moraes e pelo ator Paulo Autran. J no lbum Antologia Potica o poeta recita seus versos com fundo musical de Edu Lobo, Roberto Menescal. Tom Jobim, Francis Hime e Toquinho. H tambm trilhas para cinema, espetculos musicais, infantis (os dois volumes de Arca de No). Um apanhado respeitvel de uma das almas mais inquietas do cenrio cultural brasileiro.

LIVRO
GETLIO 1930-1945  DO GOVERNO PROVISRIO  DITADURA DO ESTADO NOVO, DE LIRA NETO (COMPANHIA DAS LETRAS; 608 PGINAS; 52,50 REAIS, OU 36,50 REAIS NA VERSO ELETRNICA)
 A conversa sobre a histria poltica brasileira s vezes parece to obsessivamente centrada na ditadura militar instaurada em 1964 que se esquece do ditador que , por qualquer critrio, a figura central do Brasil no sculo XX. Jornalista que carrega no currculo biografias de Jos de Alencar e do Padre Ccero, o cearense Lira Neto enfrentou essa esfinge  Getlio Vargas (1882- 1954). Este  o segundo volume de uma projetada trilogia sobre o estadista gacho. Amparado em extensa e cuidadosa pesquisa em arquivos no Brasil, na Argentina e no Uruguai, Lira Neto reconstitui aqui o mais extenso perodo de poder que um presidente brasileiro jamais teve. Getlio Vargas chega ao poder com a Revoluo de 1930, e s sair em 1945. Nesse intervalo, acontecem a Revoluo Constitucionalista de So Paulo, em 1932, e a instaurao do Estado Novo, em 1937. Este  um retrato alentado do governante que escreveu em seu dirio: "Gosto mais de ser interpretado do que de me explicar".

BLU-RAY
CDIGOS DE DEFESA (THE NUMBERS STATION, INGLATERRA/ESTADOS UNIDOS, 2013. CALIFRNIA)
 Agente de misses clandestinas da CIA, especialmente assassinatos, Emerson (John Cusack) cai em desgraa ao se recusar a eliminar a testemunha de uma de suas aes  uma adolescente.  ento mandado para o posto mais montono e menos comprometedor que seus superiores conseguem imaginar para um renegado: uma instalao secreta no meio do nada, na Inglaterra, de onde cdigos numricos so enviados para espies por meio de ondas curtas. Emerson faz dupla com a matemtica e operadora de rdio Katherine (Malin Akerman), uma civil que, por segurana,  mantida na ignorncia do que os cdigos significam. A misso do agente , por um lado, proteg-la; por outro, mat-la caso a operao seja comprometida. O que, claro, acontece. Dirigido pelo dinamarqus Kasper Barfoed, este  um thriller sui generis: silencioso, sombrio e pessimista, quase sempre apenas com os dois atores principais em cena (ambos muito bem, alis) e muito mais confiante na construo da atmosfera e dos personagens que em tiroteios ou exploses. 


6. OS LIVROS MAIS VENDIDOS
FICO
1. Inferno.  Dan Brown. ARQUEIRO
2. A Culpa  das Estrelas.  John Green. INTRNSECA
3. O Silncio das Montanhas.  Khaled Hosseini. GLOBO 
4. Para Sempre Sua.  Sylvia Day. PARALELA 
5. O Teorema Katherine. John Green. INTRNSECA
6. A Marca de Atena. Rick Riordan. INTRNSECA 
7. O Lado Bom da Vida.  Matthew Quick. INTRNSECA 
8. Cinquenta Tons de Cinza.  E.L. James. INTRNSECA 
9. o Pequeno Prncipe. Antoine de Saint-Exupry. AGIR
10.   A Guerra dos Tronos. George R.R. Martin. LEYA BRASIL 

NO FICO
1. Sonho Grande.  Cristiane Correa. PRIMEIRA PESSOA
2. Dirceu  A Biografia.  Otvio Cabral. RECORD
3. Casagrande e Seus Demnios.  Casagrande e Gilvan Ribeiro. GLOBO
4. Um Gato de Rua Chamado Bob.  James Bowen. NOVO CONCEITO 
5. O Dirio de Anne Frank. Anne Frank. RECORD
6. A Vida de Francisco  O Papa do Povo. Evangelina Himitian. OBJETIVA
7. Pensadores que Inventaram o Brasil. Fernando Henrique Cardose. COMPANHIA DAS LETRAS
8. Na Cozinha com Nigella. Nigella Lawson. BEST SELLER
9. Para Sempre. Kim e Krickitt Carpenter. NOVO CONCEITO 
10. Holocausto Brasileiro. Daniel Arbex. GERAO EDITORIAL

AUTOAJUDA E ESOTERISMO
1. Kairs.  Padre Marcelo Rossi. PRINCIPIUM
2. Eu No Consigo Emagrecer.  Pierre Dukan. BEST SELLER 
3. Casamento Blindado.  Renato e Cristiane Cardoso. THOMAS NELSON BRASIL
4. S o Amor Consegue.  Zibia Gasparetto. VIDA & CONSCINCIA 
5. O Monge e o Executivo.  James Hunter. SEXTANTE
6. Nietzsche para Estressados. Allan Percy. SEXTANTE 
7. Louco por Viver. Roberto Shnyashiki. GENTE 
8. Receitas de Dukan. Pierre Dukan. BEST SELLER
9. Uma Prova do Cu.  Dr. Eben Alexander III. SEXTANTE
10. Quem Pensa Enriquece. Napoleon Hull. Fundamento


7. J.R. GUZZO  PENSAMENTOS SIMPLES
     O papa Francisco foi-se embora do Brasil, levando consigo a sensacional simpatia que promete fazer dele uma estrela internacional. Deixou para trs aquele sorriso capaz de desmanchar uma pedreira de granito, e lembranas que muita gente guardar para o resto da vida. O mais importante para o futuro, porm, so as primeiras pistas que Francisco foi colocando aqui e ali, muito discretamente, sobre suas ideias gerais a respeito de como enfrentar a ameaa mais perigosa que a Igreja Catlica tem pela frente hoje: a perda lenta, gradual e segura de fiis pelo mundo afora, cada vez mais desinteressados em questes de f religiosa como um todo, e da f crist em particular. Essa vazante  mundial  inclusive no Brasil, o pas que a tradio diz ser o mais catlico do mundo. Ano aps ano, a Igreja de Roma vem perdendo fiis brasileiros para religies concorrentes, como os chamados cultos evanglicos, ou para a indiferena de um pblico muito mais interessado nas coisas materiais, que podem ser compradas com dinheiro e consumidas de imediato, do que nas coisas do espirito. Os seminrios andam com taxas de ocupao abaixo do necessrio, e em alguns dos pases mais catlicos da Europa j comea a haver mais igrejas do que padres.  
     Francisco, em sua visita ao Brasil, no tem uma soluo clara para isso, nem para o caminho de outros problemas que a Igreja Catlica carrega hoje nas costas  da pedofilia, que leva cada vez mais famlias a no colocar seus filhos em colgio de padre,  corrupo vulgar de qualquer repblica bananeira. Nem Jesus Cristo em pessoa, se pudesse descer hoje  terra, conseguiria destrinchar a horrorosa variedade de estorvos que seus pastores foram criando ao longo de vinte sculos  no nos sete dias que Deus precisou para construir o mundo. O que pode fazer, diante disso tudo, um homem s, por mais papa e mais infalvel que seja? Pode, para comeo de conversa, mostrar uma qualidade preciosa em situaes como essa: a capacidade de encarar situaes complicadas com pensamentos simples. O papa Francisco parece capaz de fazer isso. 
     "Se uma pessoa  gay, procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julg-la?", disse Francisco pouco depois de deixar o Brasil. Ele reclamou,  verdade, dos grupos gays que se formam para influir no Vaticano. Mas o que vale, mesmo,  a essncia de sua convico: sim, afirmou o papa, a pessoa pode ser gay e crist ao mesmo tempo. Por que no?  o contrrio do que sustenta h sculos a doutrina da Igreja, numa resistncia teimosa, mesquinha e intil  liberdade de costumes no mundo de hoje. Mas Francisco parece estar avisando que no pretende rezar exatamente por esse catecismo  e que no considera inteligente estreitar a porta de entrada na Igreja num momento em que o catolicismo perde um nmero cada vez maior de seguidores. No parece fazer muito sentido, de fato, ficar com tanto enjoamento, numa hora dessas, para dizer quem est ou no qualificado para ser catlico. Pelos critrios vigentes, um catlico no pode ser gay, nem divorciado, nem casado com uma segunda mulher. No pode usar camisinha. No pode casar se quiser ser padre, e tem de casar se quiser viver com uma pessoa de outro sexo. No pode aceitar o aborto, trabalhar em pesquisas com clulas-tronco ou descrer de milagres e de outras coisas que ofendem a lgica mais elementar. No pode achar que o homem vem do macaco, nem que as espcies evoluem e se transformam com o passar do tempo. No pode isso, no pode aquilo  so exigncias demais. Pior: todas essas exigncias no tm absolutamente nada a ver com nenhum valor moral. Uma pessoa pode levar uma vida perfeitamente exemplar, do ponto de vista moral, e ser divorciada, por exemplo. Por que, ento, deveria estar excluda do catolicismo? 
     Eis a o desafio real para a Igreja Catlica de hoje: aceitar como crist toda pessoa que viva com decncia, tenha valores e se comporte segundo um cdigo moral. Est tudo explicado no Sermo da Montanha, o texto mais importante do Evangelho e o primeiro guia de conduta apresentado  humanidade, junto com os Dez Mandamentos;  nele que Cristo ensina que o homem tem de ser honesto, tolerante e generoso, tem de dizer a verdade, saber perdoar e buscar a justia, viver em paz e amar o prximo. Basta fazer o que est escrito l  o que, por sinal,  muito difcil. Lembrar o Sermo da Montanha, que a Igreja jamais seguiu, poderia ser um bom comeo para salvar o catolicismo no sculo XXI. 


